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03 de Junho de 2009Crônica
Fafá de Belém
Nasci na Beneficência Portuguesa, mas bem que poderia ser numa rede à beira de um igarapé! Sou cabocla de alma, físico e coração. Cresci pelas ruas desta cidade, comendo manga na chuva, tacacá ao fim da tarde, sorvete de bacuri, cupuaçu, mangaba, uxi, mari, graviola, açaí, queijo cuia e tantos outros sabores. Tem coisa melhor do que andar na chuva chupando manga e chegar em casa toda lambuzada? Foi assim minha infância, minha adolescência, e ainda é...
De vez em quando, quando a chuva cai pesada em São Paulo, onde moro, corro para o terraço do jeito que estou e pulo na chuva! Pulo e pulo!!! Pulo e gargalho!!!! HAHAHAHAHAAAAAA. Os vizinhos não entendem nada!!! É que eu volto para a minha terra, para a minha infância, minha cidade morena – Santa Maria de Belém do Grão-Pará!
Se é para contar de comeres e beberes, prazeres e aventuras, é comigo mesma!!! Desde criança os cheiros e sabores fazem parte de nossa vida. O Ver-o-Peso é um ajuntado de sentidos, de prazeres. Cores, aromas, sabores, o sorriso da cabocla, o olhar de soslaio do caboclo, a mandinga, a ginga, os suores, o patchuli... Tudo se mistura e nos apura os sentidos. E como...
Não existe um paraense que more fora do Pará, por mais chique que seja, que não leve de volta para casa um isopor cheio de comida! HAHAHAHAHAAAAAA. É sorvete da Cairu, é tucupi da Dona Maria, é pirarucu salgado e fresco, é caranguejo, farinha de mandioca e de tapioca, bombom de cupuaçu e por aí vai... E quando se resolveu proibir a saída de caranguejo?
– Tu acha que essa moda pega? – perguntavam todos.
É claaaaaaaaaaaaaaaaaro que não pegou!!!
HAHAHAHAHAAAAAA.
O Pará nos acompanha pela vida e hoje é um destino gastronômico importante. Isso se deve a um homem – Paulo Martins. Foi esse chef de cozinha que, com suas panelas e temperos, viajou sem nenhum apoio de quem quer que fosse mostrando nossa culinária. Ele foi o grande incentivador da nossa gastronomia por esse mundo de Deus.
Quando fui convidada a fazer parte da Confraria do Vinho Periquita, uma grande honraria, ao me perguntarem se eu indicaria alguém para ser confrade e ser homenageado, só me veio um nome – Paulo Martins. Se eu fosse contar tudo o que vivi, namorei e degustei no Lá em Casa ou no Outro... não caberia nesta edição!!! Ao ser convidada para escrever aqui, pensei em muitas coisas, muitos sabores, muitas "invenções", como diria dona Anna Maria Martins, a criadora da criatura! Podia contar casos e causos, porres homéricos, grandes noitadas ao som do Guiães de Barro ou da voz de Walter Bandeira. Podia falar das "emendadas" para Salinas ou Mosqueiro, de fins de noite cantando no Bar do Parque e ouvindo Ruy Barata contar e falar "de um tudo".
E o sanduíche de pernil do Olímpia? A patinha de caranguejo do Vesúvio? Os apitos da Palmeira? O queijo do Marajó da Cuia Verde? O tacacá da barraca da Jurídica?
São lembranças de uma cidade maravilhosa, única e particular. De um povo que se mistura com outros povos e recebe como poucos... Pensando e lembrando de tudo isso, eu grito – Viva Paulo Martins!!! Viva Belém do Pará!!!
Bom apetite!!!!!!!!
Fafá de Belém é cantora