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Editorial

 

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09 de Abril de 2008

Os melhores bares


* Preços coletados até março de 2008

O melhor boteco A melhor música ao vivo
O melhor para petiscar O melhor para dançar
O melhor chope O melhor para ir a dois
O melhor fim de noite O melhor para paquerar
A melhor happy hour  

 

Veja também
Conheça os jurados
Quadro: Como eles votaram

 

O melhor boteco

Ossip

O hexacampeão: a clientela fiel chama os garçons pelo nome

Não fosse pela fama na boemia porto-alegrense, o Ossip poderia muito bem passar despercebido entre os tantos outros bares da agitada Rua da República. Situado na esquina com a Rua João Alfredo, o pequenino boteco tem poucas mesas e paredes de cor mostarda e azul, sobre as quais estão espalhadas telas e desenhos de um de seus proprietários, Federico Olivari, além de fotos de personagens do mundo pop, como Elvis Presley, Bob Marley e The Beatles. O clima ali é de família, com clientes chamando os garçons pelo nome, bebendo em pé na falta de uma cadeira, ou então debruçados no velho balcão de madeira. Essa atmosfera confere ao bar, pela sexta vez, o título de melhor boteco da capital de acordo com o júri de VEJA Porto Alegre. Inaugurado há exatos dez anos, o Ossip foi batizado assim em homenagem ao poeta russo Ossip Mandelstam, perseguido e morto pelo regime autoritário stalinista no fim da década de 30. Dos petiscos da casa, a pizza de brócolis é famosa. Tem também sanduíche de carne de panela e tortas de palmito e galinha, servidas em pedaço, que se revezam sobre o balcão. Para escoltar os quitutes, o irreverente cardápio relaciona rótulos de cachaça mineira, vinhos – que, na contramão do despojamento da casa, são servidos em taça de cristal – e cervejas Polar, Original, Bohemia e, "se tiver", Serramalte. É bom ir prevenido, pois o boteco não aceita cartão de débito nem de crédito, apenas dinheiro ou cheque.

Rua da República, 677, Cidade Baixa, (51) 3224-2422. 19h/4h30. Aberto em 1998.

 

O melhor para petiscar

Boteco Natalício

Na Cidade Baixa: comidinhas de botequim com sotaque pernambucano

Eduardo Natalício se considera um botequeiro nato. Quando trocou Pernambuco, seu estado natal, por Porto Alegre, em 2005, sentiu falta de um bar que lembrasse sua terra. A saudade virou opotunidade e, um ano depois, ele abriu o bar. Instalado em uma esquina entre o centro e a Cidade Baixa, o lugar é inspirado nos bares do Rio de Janeiro e do Nordeste, com garçons circulando pelas mesas com as bandejas de chope. Como manda a regra, a bebida nunca chega ao cliente com menos de três dedos de colarinho. Para acompanhar, o anfitrião, que é formado em gastronomia, criou versões repaginadas para as comidinhas de botequim, como a costelinha de porco com mel e a carne de panela ao molho de cachaça. O cardápio apresenta ainda delícias inspiradas na culinária nordestina, a exemplo dos escondidinhos de charque e de camarão e da cartola, doce de banana com queijo e canela acompanhado de sorvete. Opções tradicionais também estão ali, como é o caso dos bolinhos de bacalhau e das coxinhas de galinha. Receitas tão variadas fazem do Boteco Natalício o melhor para petiscar segundo os jurados de VEJA Porto Alegre. Além de comer, beber e bater papo, a visita vale para ler algumas das 200 placas que exibem nas paredes ditados boêmios, como a célebre frase de Vinicius de Moraes que diz: "O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado".

Rua Coronel Genuíno, 217, centro, (51) 3026-5539. 17h/1h (fecha dom.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R, V e B. Cr.: V. T.: Cr, C, T e V. Ar. www.boteconatalicio.com.br. Aberto em 2006.

 

O melhor chope

Caverna do Ratão

Cinqüentão: 600 copos de chope nos dias mais movimentados

A passagem do tempo não fez o bar envelhecer. A cada ano, a caverna, como o local é conhecido há pelo menos cinco décadas, renova seu investimento na qualidade do atendimento, na preparação das receitas e na tiragem do chope – tanto é que, na opinião dos jurados de VEJA Porto Alegre, é ali que se toma o melhor chope da cidade. Em março de 2007, a casa trocou de fornecedor – agora trabalha com a Nova Schin. A bebida é tirada da máquina sem pressa e sai da chopeira com colarinho de três dedos e a zero grau, temperatura que, na opinião de uma das donas do bar, Vera Saldanha, "é a ideal". Por dia são vendidos seis barris de 30 litros, suficientes para abastecer cerca de 600 copos. O esforço dos chopeiros tem como recompensa a conquista dos filhos e dos netos de antigos freqüentadores – e também de jovens que descobrem que as tradições não precisam ser descartadas. Entre elas, a de saber degustar o chope com um bom acompanhamento. Por mais comum que possa parecer, um sanduíche aberto de carne de pernil pode ser a receita perfeita. Também fazem sucesso os bolinhos de bacalhau e de carne com recheio de queijo, cebola ou ovo, servidos há décadas. Mas eles podem ser consumidos apenas às terças e quintas-feiras, dias em que são preparados.

Avenida Protásio Alves, 1709, Petrópolis. 17h/1h (fecha sáb. e dom.). Cc.: D, M e V. Cd.: R, V e B Aberto em 1955.

 

O melhor fim de noite

Van Gogh

Na calçada: ponto para tomar cerveja e ver o sol nascer

O Van Gogh é uma casa simples da Cidade Baixa que abriga, há quarenta anos, quem gosta de ver o sol nascer na mesa de um bar. Com luz suave e paredes de madeira escura, nas quais estão afixadas réplicas do auto-retrato do pintor holandês que lhe dá nome, o lugar atrai jornalistas, universitários e artistas – Caetano Veloso, Zezé Motta e a banda mineira Skank são alguns dos que já passaram por ali –, além de uma infinidade de boêmios anônimos. Todos vão em busca dos pratos fartos e dos caldos saborosos, servidos ininterruptamente das 17h às 6h, de segunda a segunda, fato que lhe rendeu o título de o melhor fim de noite pelo júri de VEJA Porto Alegre. Todos os dias, até a meia-noite, os filés à parmigiana e a cavalo lideram os pedidos. Durante a madrugada – período em que o bar costuma ficar lotado – são servidas substanciosas canjas de galinha e sopas de capelete, cobertas com muito queijo ralado e temperinho verde, além dos baurus de filé. Quem comanda tudo do antigo balcão é Claudio Piovesani, que tem trinta anos de experiência em bares do centro e há quinze está à frente da casa. É ele quem garante que as garrafas de Bohemia, Original e Serramalte cheguem bem geladas à mesa dos notívagos que ainda agüentam um último gole.

Rua da República, 14, Cidade Baixa, (51) 3226-7480. 17h/6h. Cc.: M e V. Cd.: R e V. T.: Tr e V. Aberto em 1968.

 

A melhor happy hour

Champanharia Ovelha Negra

Espumantes e champanhes: a bebida oficial de todo fim de tarde

A começar pela construção em que está instalada, a Champanharia Ovelha Negra vem agradando ao público porto-alegrense desde que foi aberta, em 2003. Funciona num imóvel construído em 1920 que tem pé-direito alto, grandes janelas e é decorado com móveis de madeira escura. Entre os freqüentadores misturam-se jovens descolados e os adeptos do hábito de degustar espumantes. Pequeno no passado, o bar foi ampliado e hoje tem capacidade para noventa pessoas. O êxito da casa em Porto Alegre motivou a criação de uma filial no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, e, em breve, a inauguração de mais uma unidade em São Paulo, no Itaim Bibi. Além disso, alçou-a à condição de o melhor bar para a happy hour segundo o júri de VEJA Porto Alegre. Na carta de bebidas, pelo menos quarenta rótulos de espumantes nacionais e cinco de champanhes, como os célebres Veuve Clicquot e Moët Chandon, estão à disposição, servidos em taças flûte, adequadas a esse tipo de bebida. Como acompanhamento, a bruschetta napolitana com tomate, parmesão, gengibre e manjericão é um sucesso, ao lado das iscas de filé com queijo, cebola e cogumelos.

Rua Duque de Caxias, 690, centro, (51) 3061-7021. 18h/23h (fecha sáb. e dom.). Cc.: D, M e A. Cd.: M e R. Ar. Aberto em 2003.

 

A melhor música ao vivo

Opinião

Palco histórico: nele, já tocaram Clapton, Purple
e Dylan

Quando inauguraram o Opinião, em 1983, os então colegas de universidade Alexandre Lopes e Claudio Favero serviam água em garrafa de vodca a casais de amigos para inspirar a bebedeira dos outros freqüentadores. Na época, o bar funcionava no térreo de um edifício da Rua Joaquim Nabuco, e as noites eram animadas por bandas cover. Hoje a casa em nada lembra o começo modesto. Instalada em um espaço de 1 000 metros quadrados na Cidade Baixa, acomoda 2 000 pessoas e foi construída com diversos pavimentos, para garantir que o público tenha boa visão do palco de qualquer ponto. Na lista de grandes apresentações estão nomes como Lenny Kravitz, Eric Clapton, Bob Dylan, Deep Purple, Nando Reis e Skank. O Opinião, que recebe pela terceira vez o título de a melhor música ao vivo por VEJA Porto Alegre, também abre espaço para shows menores, quando ganha um ar de barzinho no qual é possível petiscar um filé xadrez e tomar uma cerveja gelada ou então um drinque como o chacrinha (preparado com vodca, suco de abacaxi e leite condensado). Para garantir tantos shows, em 1992 foi aberta uma produtora do mesmo grupo, que organiza eventos em diversas partes do país e em países vizinhos.

Rua José do Patrocínio, 834, Cidade Baixa, (51) 3211-5668 e 3299-0900. 22h/último cliente (sex. e sáb. e em dias de show). Cc.: D, M, V e A. Cd.: M, R, C, V e B. Ar. Entrega em domicílio. www.opiniao.com.br. Aberto em 1983.

 

O melhor para dançar

Ocidente

Desde os anos 80: pista com clima underground

Poucas casas noturnas de Porto Alegre têm um público tão eclético quanto o Ocidente. Saraus literários, festa dos anos 80, música eletrônica e apresentações acústicas se revezam na programação semanal do bar, eleito novamente o melhor para dançar, na opinião do júri de VEJA Porto Alegre. Aberto em 1980, o lugar mantém até hoje o clima underground, com suas paredes desbotadas, caixas de som penduradas no teto por correntes e cabine de DJ instalada no mezanino sobre o bar. Apesar de não haver um palco propriamente dito, foram poucas as bandas gaúchas que não se apresentaram na casa – os punks dos Replicantes, por exemplo, fizeram ali seu primeiro show oficial, em 1984. A extensa lista de celebridades que já foram vistas se esbaldando madrugada adentro na pequena pista inclui os roqueiros das bandas Strokes e Arcade Fire em suas passagens por Porto Alegre, o tropicalista Caetano Veloso e a atriz Luana Piovani. Nesse mesmo cenário, que já serviu como locação de filmes nacionais, funciona um restaurante de pratos lactovegetarianos durante o almoço de segunda a sábado. Recentemente, a casa ampliou ainda mais seu caldeirão cultural com a inauguração do Espaço OX, que fica na parte de baixo do bar e que recebe montagens teatrais e outros eventos.

Avenida Osvaldo Aranha, 960, 1º andar, Bom Fim, (51) 3312-1347. 11h45/14h30 e 21h/3h (seg. só almoço; sex. 21h30/6h; sáb. almoço até 15h30 e 22h/6h; fecha dom.). Cc.: D, M, V e A (só no almoço). Cd.: M, R, V e apenas no almoço. T.: Cr, C, T e V. www.ocidente.com.br. Aberto em 1980.

 

O melhor para ir a dois

Mercatto D’Arte

De portas fechadas: jazz e cinqüenta lugares para conversas mais íntimas

Pelo sétimo ano, o Mercatto D’Arte é eleito o melhor bar da capital para ir a dois, de acordo com o júri de VEJA Porto Alegre. Boa parte desse reconhecimento se deve ao ambiente, decorado com peças de antiquário, que se renova constantemente, já que tudo ali está à venda. Os proprietários, arquitetos, misturam elementos de madeira, velas e luminárias de estilo oriental, criando um clima aconchegante. Localizado em meio aos casarios de época da agitada Rua João Alfredo, o bar funciona a portas fechadas, que só são abertas para receber os habitués. Se nenhum dos disputadíssimos cinqüenta lugares estiver disponível, não adianta insistir, não será possível entrar. Levar a turma e pedir para juntar mesas também não pode. Tudo para manter a tranqüilidade dos clientes. A música, predominantemente jazz e lounge, embala as conversas ao pé do ouvido, enquanto os casais bebericam uma saborosa caipirinha de morango com saquê ou então um clericot de vinho branco e petiscam pizzas do requintado cardápio, como a de pastrami com funghi. Antes de funcionar como bar, a casa que abriga o Mercatto já foi antiquário e escritório de arquitetura – na época, inclusive, as pessoas entravam ali pensando se tratar de um charmoso bar.

Rua João Alfredo, 399, Cidade Baixa, (51) 3224-9441. 19h/1h (sáb. a partir das 20h). Cd.: M e V. Ar. Aberto em 2000.

 

O melhor para paquerar

Mulligan Irish Pub

Trevo de quatro folhas: flerte e torpedos à moda irlandesa

O Mulligan Irish Pub segue à risca o conceito de great craic, expressão que o irlandês usa para definir a diversão regada a música e um pint bem tirado de chope Guinness. Mobília escura e luz baixa dão o tom do bar, aberto em novembro de 2004 na badalada Rua Padre Chagas pelos mesmos donos do Cherry Blues Pub. Nos três ambientes, em especial no deque, as mesas próximas umas das outras e freqüentadas por gente bonita e bem arrumada são um convite à troca de olhares. Tanto que o júri de VEJA Porto Alegre elegeu o bar como o melhor para paquerar na capital. Os clientes podem ainda mandar recadinhos em papéis verdes em formato de trevo de quatro folhas – símbolo de São Patrício, padroeiro da Irlanda, que é celebrado com uma animada festa todo dia 17 de março. Entre um flerte e outro, o público belisca pratos típicos irlandeses como o filé dunkel, com molho de cerveja, e o boxty, uma panqueca de batata com diferentes opções de recheio. O mais famoso é o gaelic boxty, com recheio de iscas de filé e cogumelos ao molho de uísque. Outro ponto forte da casa é a lista de fermentados: são dez variedades de chope, entre elas a inglesa Old Speckled Hen e a francesa Kronenbourg, e quase 50 tipos de cerveja, incluindo belgas, alemãs, mexicanas e holandesas. Como diz a frase escrita em giz, atrás do balcão, life’s too short to drink cheap beer. Ou, em bom português, "a vida é muito curta para beber cerveja barata".

Rua Padre Chagas, 25, 90570-080, Moinhos de Vento, (51) 3029-3725. 17h/1h (fecha seg.). Cc.: D, M, V e A. Cd.: M, R e V. Metrô Manobr. Ar. www.mulligan.com.br. Aberto em 2004.


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