Teatro
Entre a ousadia e o excesso
Montagem radicaliza o estilo violento
de Fernando ArrabalLetícia Pimenta
Divulgação
Paulo Vilhena sobre Beto Bellini:
em O Arquiteto e o Imperador
da Assíria
Ícone do teatro do pânico, escola nascida em Paris nos anos 60 e marcada por um tom erótico e violento, o espanhol Fernando Arrabal está em cartaz na cidade com uma de suas obras mais explosivas. Escrita em 1967, O Arquiteto e o Imperador da Assíria ganhou histórica adaptação brasileira em 1970 estrelada por José Wilker e Rubens Correa. A versão atual, dirigida por Ha-roldo Costa Ferrari, traz Beto Bellini e Paulo Vilhena no elenco. Em uma narrativa não linear e que flerta com o teatro do absurdo, a peça explora a relação visceral entre o sobrevivente de um acidente aéreo (o Imperador) e o único habitante da ilha (o Arquiteto), homem primitivo e inculto. Tomado por um sentimento de superioridade, o primeiro assume o papel de colonizador, ensinando ao segundo hábitos ocidentais e submetendo-o a todo tipo de humilhação.No palco, o intrincado embate da civilização contra a barbárie sugerido no texto é ofuscado por excessos cometidos em nome das propostas do autor. De cuecas e joelheiras (em razão dos muitos pulos e cambalhotas), os atores protagonizam momentos de nudez, sexo e masturbação. Na pele do Arquiteto, Paulo Vilhena é a boa surpresa. Revela nuances e muita disposição em um papel de grande exigência física, distante do padrão galã surfista que exibe na televisão.
O Arquiteto e o Imperador da Assíria (70min). 18 anos. Estreou em 8/10/2009. Teatro do Leblon - Sala Tônia Carrero (200 lugares). Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon,
2529-7700. Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 60,00 (qui., sex. e dom.) e R$ 70,00 (sáb.). Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Cc: D, M e V. Cd: todos. IC. Estac. (R$ 7,00 por três horas). Até 20 de dezembro.