Teatro
Angústia, inquietação e versos
Um retrato delicado de vida, obra
e morte da poetisa Ana Cristina Cesar
Letícia Pimenta
Walter Carvalho/Divulgação
Paulo José e Ana Kutner: pai e filha
juntos em cenaEm 1983, aos 31 anos, a poetisa carioca Ana Cristina Cesar deu fim à própria vida atirando-se da janela do apartamento dos pais, em Copacabana. Indagações sobre os motivos da tragédia e a relação entre seus versos e sua morte apoiam o caprichado espetáculo em cartaz no Teatro Oi Futuro de Ipanema. O texto de Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar, construído a partir de uma peça escrita em 1996 por Maria Helena Kühner, ganhou novo tratamento dramatúrgico de Walter Daguerre.
Trechos de poemas, prosa, cartas e diários correspondem a quase tudo o que é dito em cena por Ana Kutner. Radiante na pele de Ana C., a atriz oferece interpretação enérgica, emotiva e por vezes até engraçada. Paulo José assina a direção e divide o palco com a filha no papel dele mesmo. Explica-se: quando ambos trabalhavam na TV Globo, o ator e diretor e Ana Cristina Cesar tiveram um breve e pouco amistoso contato profissional, narrado por ele antes da encenação. Em ordem cronológica, o espetáculo desfia fatos marcantes da vida da personagem que aos 4 anos já ditava seus versos à mãe. Angústias e inquietações, ela convertia em poesia. Belas animações de Rico e Renato Vilarouca têm papel-chave na montagem. Ajudam a compor a narrativa com criatividade, simulando a produção em tempo real dos desenhos e manuscritos originais da autora.
Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar (75min). 14 anos. Estreou em 23/10/2009. Teatro Oi Futuro em Ipanema (130 lugares). Rua Visconde de Pirajá, 54, 2º piso, Ipanema,
3201-3000. Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 20,00. Bilheteria: 13h/21h (ter. a dom.). Até 20 de dezembro.